No fim de semana que antecedeu o dia mundial da Fotografia (19 de Agosto), tive a oportunidade de conhecer alguém que me inspira e me faz pensar sobre o fotojornalismo brasileiro. Estive diante do fotógrafo que saiu do sertão nordestino mas que nunca se deixou desfocar, mesmo com a beleza da “Moça do corpo dourado do sol de Ipanema” que lhe encantou em outros tempos, junto com Vinicius, Tom e Chico.

Helô-Pineiro A GAROTA DE IPANEMA Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema. Foto: Evandro Teixeira

Conheci a simpatia e gentileza de Evandro Teixeira, um profissional que apenas possui o Prêmio Especial da Unesco no Concurso Internacional “A Família”, em 1993, e os prêmios do Concurso Internacional da Nikon, Japão (1975/1991) e da Sociedade Interamericana de Imprensa. Apenas.

E eu que, em 2009, participei de um concurso da faculdade sem câmera semi ou profissional, não ganhei o 1º, nem o 2º e, acreditem, nem o 3º lugar. Fiquei em 5º. E o 5º lugar me fez ganhar, em DVD, o documentário “Instantâneos da realidade”, o qual retrata os trabalhos e a vida pessoal deste grande fotojornalista brasileiro. Já não me importava a premiação dos primeiros lugares, ganhar o documentário de Evandro Teixeira, só me impulsionou ainda mais para o fotojornalismo.

foto 3 Evandro Teixeira posa para foto no Les Artistes Café Teatro, Centro de Manaus. Foto: Paula Pessoa

Voltando ao encontro, bem, em Manaus é assim, você não sabe se derrete no calor ou se afoga na chuva torrencial. E no dia o que aconteceu? Caiu aquele pé d’água. Ao chegar no local que me informaram onde Evandro estaria, pensei que teria toda aquela burocracia, já que não conhecia quem estava organizando o evento, apesar de já conhecer grandes fotógrafos daqui. E pra minha surpresa, logo de cara quem vejo me vendo chegar? O fotografo o qual quase não tive reação quando me saudou com “bom dia”. Me apresentei, disse quem era e o que fazia e em seguida tirei da bolsa o livro que ganhei: “68 destinos – Passeata dos 100 mil”. Pedi para que ele autografasse. Gentilmente, com um sorriso nos olhos, ele mostrou aos – também – amigos fotógrafos Valdemir Cunha, Nair Benedicto e Juan Esteves o pôster com a foto “Passeata dos Cem Mil” junto com o livro. Comentou brevemente como foi o projeto e aquela época. Em seguida, fez questão de pegar sua própria caneta, autografar e fazer o registro de sua própria câmera.

Evandro Teixeira. Passeata dos Cem Mil. 1968 Passeata dos cem mil. Foto: Evandro Teixeira

Minutos depois tive que me retirar pois a votação para o concurso da Bienal, que vai acontecer em Manaus no final de Agosto, iria iniciar. Antes disso, Evandro me mostrou, em primeira mão, orgulhoso, o livro que a jornalista Silvana Costa Moreira também conterrânea dele escreveu, “Um Certo Olhar”, que ainda será lançado em setembro. Li algumas páginas para não tirar o brilho de quando estive com o meu em mãos. Na biografia não poderia faltar o poema de Drummond escrito para ele e, claro, registro de Evandro com personalidades fortes do nosso Brasil e países a fora.

Entre uma foto e outra para votação, ele era um dos mais animados, sempre comentando, puxando uma historia, sorrindo e com aquele “opa!” de uma foto sensual.

Assim que a primeira fase da votação terminou tive a oportunidade de conversar com ele. Atencioso, me apresentou o livro “Canudos 100 anos”, o qual retrata o local onde aconteceu a Guerra de Canudos, ele não chegou a presenciar a guerra mas passou a infância ouvindo historias de seus avós. No livro ele também conta historias das historias de pessoas entre 80 e 100 anos que sobreviveram aquela época. E no nosso breve bate-papo ele não poderia deixar de comentar sobre a extinção dos jumentos. “Estão extinguindo os jumentos! Todo ano volto para fotografar, neste dia avisei para o Carlinhos que estava a caminho e que apenas me arranjasse o jumento e ele me disse que já não tinha mais, era tudo na bicicleta. Ele teve que ir em outro cidade, mas me arranjou o jumento.”, comentou Evandro dando risadas.

nao a extincao do jumento Não a extinção do jumento. Foto: Evandro Teixeira

Os jurados tiveram que realizar mais uma etapa da votação, após ir e voltar, ainda estendemos a conversa. Ele também me mostrou o equipamento que utiliza hoje, uma câmera que aparentemente é compacta (pequena e leve) mas que não perde na qualidade. “Mesmo não trabalhando no jornal, não deixo de fotografar” comentou e fez um retrato meu. Ele também me deu a oportunidade de fazer um retrato seu com sua câmera.

Luiz Salama Foto: Luiza Salama/Reprodução Facebook

Singelo, carismático e atencioso, Evandro Teixeira me deu a oportunidade de conhecê-lo, fotografá-lo e até comer jaraqui com ele, mesmo sabendo que ele não ficaria por aqui. Sou muito grata a esse momento e todos os outros que ele registrou e me impulsionou ao fotojornalismo, a fotografia em si. Acredito que não somente eu, mas outros fotógrafos também o admiram e se inspiram diariamente com a sua arte que marca e esclarece uma personalidade, atos e até mesmo uma década.

foto 4 Foto: Paula Pessoa

As perguntas que gostaria de fazer me fugiram, quem sabe em Paraty faço uma videorreportagem completa. Registro feito. Feliz dia da fotografia.

Agradecimentos, em especial: Alexandre Fonseca, Ricardo Kallil e equipe do fotoclube Foto Síntese, Luiz Salama e Rômulo Araújo.

As fotografias de Evandro Teixeira foram reproduzidas do site.

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